
Qual seria sua sensação ao saber que vai assistir o show da sua banda preferida? Uma ansiedade incrontrolável, noites mal dormidas, contagem regressiva no calendário? Sim, eu assisti uma apresentação ao vivo da minha favorita.
Um churrasco em um parque em uma tarde de Sábado me trouxe a noticia alguns meses antes. Uma olhada na Internet e o ingresso na mão alguns dias depois.
O pico, Makuhari Messe eh um complexo como uma micro cidade. Lojas, Hotéis, restaurantes, estação de trem alem do estádio da equipe de beisebol local (aqui o esqueite passa longe do esporte da preferência nacional), o Chiba Marine. Situado na zona portuária de Tokyo, ao largo de avenidas com bordas, bancos, escadas, gaps, corrimãos e muito, mais muito chão. Tem uma arquitetura futurista e foi palco pra uma pequena sessão pros mais "elétricos". Uma pausa pra repor as energias e a entrada ao local.
Faltavam poucas horas pra o começo do show, e existia uma fila gigantesca. Pro show? Não! Pra compra de camisas, blusas, posters e toalhas do Rage Against the Machine!!!! No Japão, principalmente nesse tipo de evento eh comum surgirem "fas nº 1". Figuras saídas de revistas de moda, catálogos de heavy metal, e todo e qualquer tipo de tribo urbana imaginável e possível.
Uma mensagem antes do começo me trouxe as gargalhadas. Era proibido "mosh"....ok, no show do Rage Against the Machine? Ta bom!
O hino do Exercito Zapatista de Libertação Nacional do México, um "boa noite, nos somos o Rage Against the Machine de Los Angeles, California" e os primeiros acordes de Testify, foram responsáveis pelo começo do movimento incontrolável de japoneses, gringos branquelos e brasileiros. Alguns segundos após o "proibido mosh" já abria espaços na multidão.
No meu caso, não sabia se entrava na roda, ou apreciava o show. Não resisti nem 5 segundos e a "terapia de alto impacto" foi minha escolha. As "rodas" no Japão são sem graça, a cada 5 minutos um simpático amarelo de óculos me pedia pra " pegar leve". Com um sorriso fazia um ok com a cabeça e voltava a extrair todo o ódio que viver a margem da sociedade implantou nesse ser humano que vos escreve.
Todos os hits foram tocados. Uma pena, porque algumas das melhores musicas foram deixadas de fora. Mas a energia do show, aliada a performance contagiante de Zack de La Rocha, e os solos a-b-s-u-r-d-a-m-e-n-t-e bem trabalhados de Tom Morello fizeram desse show o melhor que já assisti. Honestamente, um show pra ficar na historia, se nao da musica, ao menos da minha vida.
Mas ao assistir ao show percebi que a maioria ainda continua gostando apenas pelo som enérgico, não prestando atenção a verdadeira mensagem embutida nas letras do Rage Against the Machine. Mensagens que se absorvidas por muitas pessoas estariam realmente fazendo alguma diferença.
Finalizo meu relato sobre algumas coisas que viver em um pais diferente pode nos proporcionar. Mas a saudade ainda eh uma palavra que poucos sabem o verdadeiro significado, assim como REVOLUÇÃO. VIVA ZAPATA!
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